QUAL É A MELHOR RELIGIÃO?

No intervalo de uma mesa redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual participava o Dalai Lama, Leonardo Boff lhe perguntou, “qual é a melhor religião?”, esperando que Dalai Lama dissesse: “É o budismo tibetano” ou “São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo”.
dalai lamaSua Santidade fez uma pausa, deu um sorriso, e olhou bem nos olhos de Leonardo Boff, o que desconcertou um pouco o brasileiro, e então disse: “A melhor religião é aquela que te faz melhor”. Diante desta resposta tão sábia, Leonardo Boff voltou a perguntar: “O que me faz melhor?”.
E o Dalai Lama respondeu: “Aquilo que te faz mais compassivo, aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais filantrópico, mais responsável… A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião.”

QUEM É JESUS PARA VOCÊ?

Nos últimos dois mil anos, bilhões de pessoas ouviram falar de Jesus, enquanto que outros bilhões nunca ouviram falar nele. Entre as pessoas que ouviram falar se formaram as mais variadas opiniões sobre Jesus, desde ser um deus em forma humana ou um mestre de sabedoria. Por mais divergentes que sejam essas opiniões, as pessoas são livres para escolherem no que acreditar, mas devem ser tolerantes para que os outros usufruam a mesma liberdade.

“A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.”

(Mahatma Gandhi)

Uma só religião seria suficiente para uma humanidade com tantos costumes, tradições e povos diferentes? Ou se faz necessário uma variedade de religiões para os diversos povos do mundo. Mesmo a melhor religião do mundo, não conseguiria suprir as necessidades espirituais de todos os seres humanos, pois as pessoas têm diferentes pontos de vista. O importante é que as pessoas tenham paz e alegria em seus corações. Assim, a paz interior se estenderá para a família e a comunidade.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE ESPIRITUALIDADE E RELIGIÃO?

A espiritualidade existe desde que o ser humano irrompeu na natureza. A religião é a institucionalização da espiritualidade, como a família o é do amor. Há relações amorosas sem constituir família. Há espiritualidade sem identificação com religião. As religiões são recentes, datam de oito mil anos. Em geral, elas se apresentam como catálogos de regras, crenças e proibições, enquanto a espiritualidade é livre e criativa. Na religião, predomina a voz exterior, da autoridade religiosa. Na espiritualidade, a voz interior, o “toque” divino.
dente-de-leãoA religião é instituição; a espiritualidade, vivência. Na religião há disputa de poder, hierarquia, excomunhões, acusações de heresia. Na espiritualidade predominam a disposição de serviço, a tolerância para com a crença (ou a descrença) alheia, a sabedoria de não transformar o diferente em divergente. A religião culpabiliza; a espiritualidade induz a aprender com o erro. A religião ameaça; a espiritualidade encoraja. A religião reforça o medo; a espiritualidade, a confiança. A religião traz respostas; a espiritualidade, perguntas.
Há fiéis que fazem de sua religião um fim. Ora, toda religião, como sugere a etimologia da palavra (religar), é um meio de amar o próximo, a natureza e a Deus. Quem pratica os ritos de sua religião, acata os mandamentos e paga o dízimo, mas é intolerante com quem não pensa ou crê como ele, pode ser um ótimo religioso, mas carece de espiritualidade. É como uma família desprovida de amor. A espiritualidade deveria ser a porta de entrada das religiões.

O QUE É O XINTOÍSMO?

Xintoísmo é uma espiritualidade que surgiu no Japão, muito ligada à natureza, como uma explicação da origem do mundo, da vida e da Família Imperial Japonesa. Shinto significa ‘Caminho dos Kami’, que são os Seres Divinos, que desde a mais remota antiguidade eram vistos na natureza: no sol, na lua, nas montanhas, nos rios, nas árvores, nas rochas etc.
7351199666_a188bd9a7d_bA relação ser humano com a natureza é o ponto central do xintoísmo, através do respeito e reverência à natureza. A visão xintoísta de conexão e intimidade com a natureza se opõe ao comportamento do homem ocidental, que enxerga as forças naturais como adversárias, lutando e tentando dominá-la e subjugá-la.
A receptividade a novas culturas e religiões também é uma das características do xintoísmo, que não se classifica como uma crença exclusivista. O xintoísmo não pode ser considerado como uma religião, mas sim, como uma espiritualidade, pois não possui um dogma ou doutrina, um livro sagrado, conjunto de leis ou código moral, ou mesmo um fundador, a exemplo de outras religiões.
As cerimônias podem ser feitas em casa ou nos santuários, possuindo quatro etapas principais: a Purificação (limpeza com água); as Oferendas (alimentos, financeiro ou serviços); as Orações e as Festividades (celebrações). Nas cerimônias xintoístas predomina a necessidade de estabelecer um equilíbrio entre o ser humano e a natureza, que é compreendida como uma guia e parceira do ser humano. Para chegar a este equilíbrio, é necessária a purificação do corpo e do coração.
Atualmente, a estimativa é que cerca de 119 milhões de pessoas pratiquem o xintoísmo no Japão. O número é elevado por causa da falta de exclusividade do xintoísmo como religião, ou seja, muitos japoneses possuem outras crenças e mesmo assim praticam xintoísmo em casa ou nos santuários.

O QUE É A KONKOKYO?

A Konkokyo é um ensinamento de vida em que as pessoas buscam através da prática da fé, superar os desafios da vida e alcançar o Wagakokoro, um coração em paz e alegre. Enfatiza a melhoria da vida humana neste mundo pelas práticas de gratidão à Kami (Deus), de harmonia na família, de não reclamar da vida, de ouvir os ensinamentos, de ajudar aos outros e Toritsugi (aconselhamento das questões da vida).
O fundador Konko Daijin nasceu em 16 de agosto de 1814, na província de Okayama no Japão. Ele era um trabalhador do campo, que teve uma experiência espiritual que mudou sua vida, foi um encontro direto com Kami (Ser Divino). Ao completar 42 anos de idade, ficou de cama devido a uma grave doença. Sua doença afetou tanto que seus médicos abandonaram qualquer esperança de recuperação. Mas devido a sua fé e sinceridade sua doença foi curada por Kami (Deus). Após sua recuperação, Konko Daijin recomeçou sua prática da fé com mais dedicação seguindo a vontade de Kami (Deus):

“Há muitas pessoas como você que têm uma fé sincera em Kami (Deus), contudo ainda têm muitos problemas. Ajude essas pessoas fazendo Toritsugi (Mediação Espiritual).”

(Konko Daijin Oboegaki 9:3.6)

Nós usamos o termo Kyokai para designar uma ‘comunidade espiritual’ formada com a intenção de ajudar na prática espiritual dos seus praticantes com a orientação de um Sensei (Mestre). E a palavra Hiromae que significa ‘estar diante, em frente ou na presença divina’ para o local onde os praticantes se reúnem para ouvir os ensinamentos, receber aconselhamentos, fazer estudos e práticas, como para as celebrações e confraternizações com brincadeiras, comidas e bebidas, e bom humor.

O QUE É TORITUSUGI?

Por volta de 40 anos de idade, Konko Daijin transformou a sala de sua casa em Hiromae (Presença Divina) local dedicado ao serviço de Kami (Deus). No lado principal da sala colocou um altar onde colocava as oferendas, as luminárias e o Tenchi Kakitsuke (Lembrete Divino). Ao lado do altar colocou uma pequena mesa, de maneira que ficasse de lado tanto para o altar, quanto para os visitantes e adeptos.
Em japonês, Toritsugi tem significados como mediação e intercessão. Konko Daijin passava o dia à fazer intercessão espiritual, ouvindo os problemas e pedidos das pessoas, sempre buscando à Kami (Deus) em oração por uma resposta. Para assim orientá-las na solução de seus problemas dando uma nova compreensão da situação que estivessem passando.
Na mediação espiritual de Konko Daijin, a compreensão dos ensinamentos se dá de forma simples e objetiva. A compreensão da vontade de Kami é transmitida para as pessoas através de exemplos e metáforas da natureza. Assim as pessoas ao receberem Toritsugi de Konko Daijin tinham uma conexão com Kami por meio dos ensinamentos que recebiam. Com isso, as pessoas refletiam sobre seus pensamentos e ações e podiam corrigir sua maneira de viver, o ensinamento recebido na mediação mostra o caminho para a solução dos conflitos.